terça-feira, 9 de outubro de 2012

ECOSSISTEMA DO NORDESTE




Caatinga

Localização

A Caatinga ocupa uma área de 734.478km2 e é o único bioma exclusivamente brasileiro. Isto significa que grande parte do patrimônio biológico dessa região não é encontrada em outro lugar do mundo além do Nordeste do Brasil.
A Caatinga ocupa cerca de 8,62% do território brasileiro e mais de 70% da região Nordeste. Estende-se pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais. O cenário árido é uma descrição da Caatinga (Figura 3), que na língua tupi-guarani quer dizer Mata Branca, pois na época seca a vegetação perde as folhas e fica esbranquiçada.

Caracterização

A Caatinga tem uma fisionomia de deserto, com índices pluviométricos muito baixos, em torno de 500 a 700mm anuais. Em certas regiões do Ceará, por exemplo, embora a média para anos ricos em chuvas seja de 1.000mm, pode chegar a apenas 200 mm nos anos secos. A temperatura média se situa entre 25oC e 29oC e varia pouco durante o ano. Além dessas condições climáticas rigorosas, a região da Caatinga está submetida a ventos fortes e secos, que contribuem para a aridez da paisagem nos meses de seca.
As plantas da Caatinga possuem adaptações ao clima, tais como folhas transformadas em espinhos, cutículas altamente impermeáveis e caules suculentos. Todas essas adaptações lhes conferem um aspecto característico denominado xeromorfismo (do grego xeros, seco, e morphos, forma, aspecto).
Duas adaptações importantes à vida das plantas na Caatinga são a queda das folhas na estação seca e a presença de sistemas de raízes bem desenvolvidos. A perda das folhas é uma adaptação para reduzir a perda de água por transpiração e raízes bem desenvolvidas aumentam a capacidade de obter água do solo.
O mês do início do período seco anual é agosto e a temperatura do solo chega a 60oC. O sol forte acelera a evaporação da água das lagoas e rios que, nos trechos mais estreitos, secam e param de correr. Quando chega o verão, as chuvas encharcam a terra e o verde toma conta da região.
Mesmo quando chove, o solo raso e pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada provoca intensa evaporação. Por isso, somente em algumas áreas próximas às serras, onde a abundância de chuvas é maior, a agricultura se torna possível.
Na longa estiagem, os sertões são, muitas vezes, semidesertos e nublados, mas sem chuva. O vento seco e quente não refresca, incomoda.
Os cerca de 20 milhões de brasileiros que vivem nos 734.478km2 de Caatinga nem sempre podem contar com as chuvas de verão. Quando não chove, o homem do sertão e sua família sofrem muito. Precisam caminhar quilômetros em busca da água dos açudes.
A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo.

Clima e hidrografia

As áreas de planície estão sujeitas a um período de seca muito mais longo e severo que as áreas planálticas mais elevadas, período que normalmente dura sete meses, mas que às vezes pode chegar a até doze meses em um ano. Não só a taxa de precipitação anual é mais baixa, como também as temperaturas são em geral mais altas. Estas áreas têm clima semiárido tropical, com temperaturas médias mensais ficando acima de 25°C.
Quando chove, no início do ano, a paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna volta a engordar. Através de caminhos diversos, os rios regionais saem das bordas das chapadas, percorrem extensas depressões entre os planaltos quentes e secos e acabam chegando ao mar, ou engrossando as águas do São Francisco e do Parnaíba (rios que cruzam a Caatinga).
Das cabeceiras até as proximidades do mar, os rios com nascentes na região permanecem secos por cinco ou sete meses no ano. Apenas o canal principal do São Francisco mantém seu fluxo através dos sertões, com águas trazidas de outras regiões climáticas e hídricas.

Relevo e solos

De forma geral, os solos são rasos, fortemente ácidos e de baixa fertilidade natural.
Fragmentos de rochas são frequentes na superfície, o que dá ao solo um aspecto pedregoso. Este solo com muitas pedras e raso dificilmente armazena a água que cai no período das chuvas.
O relevo da Caatinga apresenta duas formações dominantes: planaltos e grandes depressões. As depressões são terrenos aplainados, normalmente mais baixos que as áreas em seu entorno e que podem apresentar colinas. As maiores depressões da região são a Sanfranciscana, a Cearense e a do Meio Norte.

Vegetação

A vegetação do bioma é extremamente diversificada, incluindo, além da Caatinga, vários outros ambientes associados. São reconhecidos 12 tipos diferentes de Caatingas, que chamam atenção especial pelos exemplos fascinantes de adaptações aos hábitats semiáridos. Tal situação pode explicar, parcialmente, a grande diversidade de espécies vegetais, muitas das quais endêmicas ao bioma. Estima-se que pelo menos 932 espécies já foram registradas na região, sendo 380 endêmicas.
A Caatinga é um tipo de formação vegetal com características bem definidas: árvores baixas e arbustos espinhosos que, em geral, perdem as folhas na estação das secas (espécies caducifólias), além de muitas cactáceas. Ao caírem as primeiras chuvas no fim do ano, a Caatinga perde seu aspecto rude e torna-se rapidamente verde e florida.
A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e o herbáceo (abaixo de 2 metros). Contraditoriamente, a flora dos sertões é constituída por espécies com longa história de adaptação ao calor e à seca, é incapaz de reestruturar-se naturalmente se máquinas forem usadas para alterar o solo. A degradação é, portanto, irreversível na Caatinga.
As espécies mais encontradas são: Caesalpinia pyramidalis (catingueira), Mimosa caesalpiniaefolia Benth. (sabiá), Mimosa sp. (unha-de-gato), Pithecellobium diversifolium Benth. (jurema-branca), Cassia excelsa Schrad. (canafístula), Mimosa nigra Hub. (jurema-preta), Caesalpinia ferrea Mart. (pau-ferro), Pityrocarpa sp. (catanduva) – Fabaceae; Croton sp. (marmeleiro), Jatropha sp. (pinhão), Cnidoscolus phyllacanthus Hoffm. (favela) – Euphorbiaceae; Combretum leprosum Mart.(mufumbo) – Combretaceae; Ziziphus joazeiro Mart. (juazeiro) – Rhamnaceae; Astronium sp. (aroeira) – Anacardiaceae; Lantana sp. (camará) – Verbenaceae;..Bursera leptophloeos Mart. (imburana-de-cambão) – Burseraceae; Aspidosperma pyrifolium Mart. (pereiro) – Apocynaceae; Cereus jamacaru DC. (mandacaru), Cereus squamosus Guerke (facheiro), Melocactus spp. (coroa-de-frade) – Cactaceae; Bromelia laciniosa Mart. (macambira) – Bromeliaceae e Pilocereus gounellei Weber. (xique-xique).

Fauna

Quando chove na Caatinga, no início do ano, a paisagem e seus habitantes se modificam.
Lá vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção. Outros animais da região são o sapo-cururu, a asa-branca, a cotia, o gambá, o preá, o veado-catingueiro, o tatu-peba e o sagui-do-nordeste, entre outros.
A situação de conservação dos peixes da Caatinga ainda é precariamente conhecida. Apenas quatros espécies que ocorrem no bioma foram listadas preliminar mente como ameaçadas de extinção, porém se deve ponderar que grande parte da ictiofauna não foi ainda avaliada.
São conhecidas, em localidades com feição características da Caatinga semiáridas, 44 espécies de lagartos (como o tiú ou teiú), 9 espécies de anfisbenídeos (lagartos sem patas), 47 de serpentes (como a cascavel, a jararaca e a jibóia), 4 de quelônios, 3 de crocolia e 47 de anfíbios, das quais apenas 15% são endêmicas. Um conjunto de 15 espécies e de 45 subespécies foi identificado como endêmico. São 20 as espécies ameaçadas de extinção, estando incluídas nesse conjunto duas das espécies de aves mais ameaçadas do mundo: a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari).
Também constituída por diversos tipos de aves (como a seriema, avoante, quenquém, juriti e gralha), algumas endêmicas do Nordeste, como o patinho, chupa-dente, o fígado, além de outras espécies de animais, como o tatu-peba, o gato-do-mato, o macaco prego e o bicho preguiça. Destaca-se também a ocorrência de espécies em extinção, como o próprio gato-do-mato, o gato-maracajá, o patinho, a jararaca e a sucuri-bico-de-jaca.

Degradação

A Caatinga possui extensas áreas degradadas, muitas delas incorrem, de certo modo, em risco de desertificação. A fauna da Caatinga sofre grandes prejuízos tanto por causa da pressão e da perda de hábitat como também em razão da caça e da pesca sem controle. Também há grande pressão da população regional no que se refere à exploração dos recursos florestais da Caatinga. Ela vem sofrendo diversas agressões ambientais: substituição de espécies vegetais nativas por cultivos e pastagens, desmatamento e queimadas. A falta de preservação prejudica a sobrevivência da fauna silvestre, a qualidade da água e o equilíbrio do clima e do solo.
Em regiões como o Vale do São Francisco, a irrigação foi incentivada sem o uso de técnica apropriada e o resultado tem sido desastroso. A salinização do solo é, hoje, uma realidade. Especialmente na região onde os solos são rasos e a evaporação da água ocorre rapidamente devido ao calor, a agricultura tornou-se impraticável.
Outro problema é a contaminação das águas por agrotóxicos. Depois de aplicado nas lavouras, o agrotóxico escorre das folhas para o solo, levado pela irrigação, e daí para as represas, matando os peixes. Nos últimos 15 anos, 40 mil km2 de Caatinga se transformaram em deserto devido à interferência do homem sobre o meio ambiente da região. As siderúrgicas e olarias também são responsáveis por este processo, devido ao corte da vegetação nativa para produção de lenha e carvão vegetal.
Enfim, a Caatinga carece de planejamento estratégico permanente e dinâmico, com o qual se pretende evitar a perda da biodiversidade do seu bioma.

Proteção jurídica

Não há uma proteção jurídica específica, ficando por conta da aplicação do disposto no Código Florestal (Lei 4.771/65), no que couber, bem como, na Lei dos Crimes Ambientais (9.605/98).

Fonte: Projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável
Eliseu Marlônio

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